QUANTO CUSTA?


Ontem encontrei com Joana. Um encontro breve, ela estava apressada para uma das “mil confraternizações” para as quais ela disse querer ser convidada, mas que não queria ir. Sei. É dúbio! Mas, Joana é dúbia!

Ao nos cumprimentarmos e já nos despedindo, nos abraçamos. Apesar da pressa, senti meu corpo repousar naquele abraço. Quando nos afastamos, comecei a pensar no quanto mudamos, no quanto conquistamos e não pude deixar de lembrar das vezes em que conversamos horas a fio, ao som de Ana Carolina, Legião Urbana, Laura Pausini, e podíamos desejar o mundo, amar sem limite, morrer de amor sempre que encontrava com o paquera do momento...

Também voltei a recordar do que fui, do que sou e do tanto que ainda posso ser. E, hoje, sem dúvidas, posso dizer que posso ir muito longe.

São essas certezas do amadurecimento que traz o peso de ser quem decidimos ser. Há um divisor de águas quando podemos deixar ir a mulher que fomos e começamos a construir a mulher que somos, com todo o acúmulo de sentimentos que carregamos ao longo dos anos.

Às vezes pesa muito sentir tudo o que precisamos sentir, afinal, nem sempre conseguimos guardar os pensamentos e esconder o medo, a angústia que por muitas vezes nos acompanham. Nem sempre é possível usar a armadura da fortaleza.

Esse abraço de Joana me levou para um passado que parecia esquecido, mas que continua vivo em mim: dores não curadas acabam por se fazerem presentes, afinal Amelinha já nos alertou que “haverá um dia em que não haverá de ser feliz” e tá tudo bem, desde que não permita que esse dia dure mais do que o necessário, pois “chorar, sorrir, também e dançar na chuva, quando a chuva vem”. 

Nos dias em que as coisas pesam mais, vale a pena lembrar dos abraços que deixamos de dar e receber, da chuva que olhamos da janela sem nos molhar, do sol que fugimos para não queimar a pele...

Que os nossos corpos encontrem abraços para repousar os medos, os desejos, o amor, a alegria, a tristeza e as saudades. E que possamos ser o abraço que outra mulher precise.

Afinal, quanto custa um abraço? Quanto custa um eu te amo? Quanto custa um “estou aqui”? Vale muito SER refúgio e ter refúgio.

Na sociedade neoliberal, do capitalismo é preciso encontrar valores não mensuráveis. 


 

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