Sindicombustíveis afirma que corte anunciado pela Petrobras atinge primeiro as distribuidoras e cita etanol como um dos entraves ao repasse imediato
A redução de 5,2% no preço da gasolina anunciada pela Petrobras, que passou a valer para as distribuidoras nesta terça-feira (27), ainda não chegou de forma significativa aos consumidores. Em nota divulgada no mesmo dia, o Sindcombustíveis Pernambuco, entidade que representa os donos de postos, afirma que o repasse do corte não depende dos revendedores e explica como funciona a formação de preços no mercado de combustíveis.Segundo o sindicato, quem compra diretamente da Petrobras são as distribuidoras, e não os postos. Por isso, qualquer redução anunciada pela estatal chega primeiro a essas empresas, que definem suas próprias políticas de repasse. “Quem compra diretamente da refinaria são as distribuidoras, e não os postos”, destaca a nota, em resposta às cobranças feitas por consumidores e pela opinião pública logo após o anúncio da redução.
De acordo com relatos recebidos pela entidade na manhã desta terça-feira, a maior parte das grandes distribuidoras repassou aos postos uma redução média de apenas 1 a 4 centavos por litro, valor bem inferior aos 14 centavos anunciados na refinaria. As distribuidoras têm justificado essa diferença principalmente pela elevação do preço do etanol anidro, que compõe a gasolina, e pelo alto nível de estoques adquiridos anteriormente a preços mais elevados, o que dificultaria um repasse imediato sem perdas financeiras.
Na avaliação do Sindcombustíveis, essa dinâmica acaba colocando os postos — elo da cadeia que vende diretamente ao consumidor — como responsáveis pela manutenção dos preços. “Cria-se uma percepção distorcida, na qual o posto é apontado como vilão, quando, na realidade, ele apenas repassa o preço que recebe das distribuidoras”, afirma a entidade, que defende mais transparência em toda a cadeia.
A redução anunciada pela Petrobras prevê que o preço médio da gasolina A vendida às distribuidoras passe a ser de R$ 2,57 por litro, uma queda de R$ 0,14. Essa é a primeira redução do combustível promovida pela estatal em 2026. A última alteração havia ocorrido em outubro de 2025.
Segundo a Petrobras, o valor praticado pela empresa representa cerca de um terço do preço final pago pelo consumidor nos postos. O preço da gasolina na bomba é composto ainda pelos custos e margens de lucro de distribuidoras e revendedores, pelo custo do etanol anidro, além de impostos federais — como Cide, PIS/Pasep e Cofins — e do ICMS, cuja alíquota varia conforme o estado.
No caso do diesel, a Petrobras informou que manterá os preços inalterados neste momento. Ainda assim, destacou que, desde dezembro de 2022, a redução acumulada nos preços do diesel para as distribuidoras chega a 36,3%, considerando a inflação do período. O Sindcombustíveis alerta, porém, que há informações de que o diesel no Brasil estaria abaixo do preço de paridade internacional, o que pode levar a reajustes futuros.
Para a entidade, o debate público sobre os preços dos combustíveis precisa incluir de forma mais clara o papel das distribuidoras, com questionamentos sobre qual foi o repasse efetivo, em que prazo e como os custos estão sendo considerados, para que o consumidor compreenda melhor como o preço é formado e os postos deixem de ser o único alvo das cobranças.
Fonte: JCOnline

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