Lateral é principal problema da seleção brasileira a cinco meses da Copa

Pelo lado esquerdo, Caio Henrique, Alex Sandro e Douglas Santos já foram utilizados; na direita, jogaram com Carlo Ancelotti Paulo Henrique, Vanderson, Vitinho e Wesley

Uma legião de laterais estrangeiros cresce no futebol brasileiro — onde surgiram lendas como Cafu e Roberto Carlos —, com 14 dos 20 times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, que começa nesta quarta-feira, tendo pelo menos um deles em seus elencos. A janela de transferências trouxe novos recrutas: o argentino Román Gómez (Bahia), o equatoriano Ángelo Preciado (Atlético-MG) e o uruguaio Pedro Milans (Corinthians).

E não se trata apenas de quantidade. Os "forasteiros" têm papéis fundamentais, como os uruguaios Guillermo Varela, do Flamengo, e Joaquín Piquérez, do Palmeiras. Enquanto isso, os laterais brasileiros estão em observação: o técnico da seleção, Carlo Ancelotti, tem dúvidas em ambos os lados para a Copa do Mundo deste ano.

Saída precoce rumo à Europa

Grandes laterais ofensivos fazem parte do DNA do Brasil: Carlos Alberto e Everaldo brilharam na mítica seleção tricampeã mundial em 1970, Cafu e Roberto Carlos deixaram sua marca e conquistaram o penta em 2002 e, mais recentemente, Daniel Alves e Marcelo também tiveram destaque. Hoje eles fazem falta.

Incógnitas para Copa do Mundo

Ancelotti, que estreou no comando da Seleção em junho do ano passado e garantiu a classificação para a Copa do Mundo, continua fazendo testes. Pelo lado esquerdo, já utilizou Caio Henrique (Monaco), além de Alex Sandro (Flamengo) e Douglas Santos (Zenit).

Na direita, jogaram com Ancelotti Paulo Henrique (Vasco), Vanderson (Monaco), Vitinho (Botafogo) e Wesley (Roma). Também foi escalado na função o zagueiro Éder Militão (Real Madrid), que teve boa atuação na vitória do Brasil por 2 a 0 sobre Senegal em amistoso disputado em Londres, em novembro.

 "Tem que correr muito"

Por outro lado, as equipes de base priorizam jovens que atuam como pontas, observa o ex-lateral-direito Ronald Cabral, supervisor técnico do projeto Guerreirinhos, escolinha de futebol do Fluminense.
"A garotada acha que tem que correr muito", e por isso eles não sentem vontade de jogar na lateral, explica Cabral à AFP. "Você tem 200 garotos e pergunta: 'lateral-direito?', ninguém levanta o dedo. 'Atacante?', todo mundo levanta o dedo", continua o ex-jogador, que se orgulha das promessas do clube carioca, como o lateral-direito Julio Fidelis, de 19 anos.

Em meio às preocupações, o próprio Cafu pede calma.
 
"Nós temos grandes laterais [...], aptos hoje a realmente honrar e vestir a camisa dos times que estão passando, principalmente da seleção brasileira, mas é uma questão de tempo e adaptação", disse o capitão do penta à CNN.
 
Enquanto isso, jovens laterais estrangeiros estão de olho no futebol brasileiro não só pelo aspecto financeiro, mas também como vitrine para a Europa.
 
"Um dos meus objetivos é jogar nas grandes ligas da Europa e na seleção [da Argentina]. Sei que posso dar esse salto aqui", disse Román Gómez, de 19 anos, ao ser apresentado no Bahia.



Fonte: Agência O Globo

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