Em meio a uma crise que extrapolou a esfera administrativa e chegou ao campo político, o Governo de Pernambuco decidiu exonerar, a pedido, o presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), Antônio Carlos Reinaux
A decisão foi tomada na noite desta terça-feira (20) e ocorre após uma sequência de denúncias envolvendo falhas na fiscalização do transporte por ônibus no interior do Estado — episódio que culminou, inclusive, em um pedido de abertura de processo de impeachment da governadora Raquel Lyra (PSD) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).O ato de exoneração será publicado no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (21), encerrando a gestão de Reinaux à frente da estatal responsável por regular e fiscalizar o sistema de transporte intermunicipal. A informação foi confirmada por fontes palacianas, que reconheceram o desgaste político provocado pelo caso.
A EPTI passou a ocupar o centro do debate público há cerca de uma semana, quando parlamentares da oposição denunciaram que a empresa estaria falhando na fiscalização das concessionárias que operam no interior, muitas delas enfrentando sérias dificuldades financeiras. Segundo as críticas, a ausência de uma atuação mais rigorosa do Estado teria contribuído para o agravamento da situação do setor.
Um dos casos mais emblemáticos é o da Logo Caruaruense, empresa tradicional do Agreste, de propriedade do pai da governadora, João Lyra, que encerrou suas atividades recentemente, alegando inviabilidade econômica. Ela funcionou durante os 3 anos de governo de Raquel de forma irregular. Com isso, as linhas antes operadas pela empresa foram assumidas pela própria estatal, o que ampliou ainda mais o debate sobre a gestão do sistema e a responsabilidade do governo.
O episódio ganhou contornos ainda mais graves quando deputados estaduais protocolaram um pedido de abertura de processo de impeachment da governadora, apontando supostas omissões administrativas e falhas na condução da política de transporte intermunicipal como parte do conjunto de argumentos apresentados.
Embora o governo tenha tratado a exoneração como um pedido pessoal do então presidente da EPTI, nos bastidores a avaliação é de que a decisão busca conter o desgaste político, reduzir a pressão sobre o Executivo e sinalizar uma resposta institucional diante das críticas e da crise instalada.
Fonte: A Folha Das Cidades

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